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JN NOTÍCIAS · Cidades

BAHIA E BRASIL SOB A PRESSÃO DO CRIME ORGANIZADO: FACÇÕES AVANÇAM, A POPULAÇÃO TEME PELA VIDA E A SEGURANÇA PÚBLICA EXIGE RESPOSTAS!

BAHIA E BRASIL SOB A PRESSÃO DO CRIME ORGANIZADO: FACÇÕES AVANÇAM, A POPULAÇÃO TEME PELA VIDA E A SEGURANÇA PÚBLICA EXIGE RESPOSTAS!

BAHIA E BRASIL SOB A PRESSÃO DO CRIME ORGANIZADO: FACÇÕES AVANÇAM, A POPULAÇÃO TEME PELA VIDA E A SEGURANÇA PÚBLICA EXIGE RESPOSTAS!

Uma análise jornalística sobre homicídios, expansão do Comando Vermelho e do PCC, falta de efetivo, estrutura policial, omissões a serem investigadas e a responsabilidade dos governos diante de uma população que exige o direito de viver em paz.

REPORTAGEM ESPECIAL | JN NOTÍCIAS BRASIL | FEIRA DE SANTANA – BAHIA | 31 DE OUTUBRO DE 2026

1. O crime organizado deixou de ser uma ameaça distante

O Brasil enfrenta um desafio que ultrapassa as fronteiras das grandes capitais. O crime organizado vem ampliando sua presença em diferentes regiões, disputando territórios, controlando atividades ilegais e impondo medo a comunidades inteiras.

Organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) possuem atuação que vai além do tráfico de drogas. Suas estruturas envolvem lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas, extorsão, exploração de mercados clandestinos e articulações criminosas que exigem respostas muito mais amplas do poder público.

O problema não está apenas na existência dessas organizações, mas na capacidade de adaptação, financiamento e expansão de suas redes.

O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, identificou a interiorização da violência e a expansão das disputas entre facções para cidades médias e pequenas.

Na Bahia, o levantamento destaca a presença do Comando Vermelho e do PCC, além de organizações locais, como Bonde do Maluco e Comando da Paz, em um cenário de disputas territoriais.

Isso significa que a preocupação com a segurança não pode ficar restrita a Salvador. Feira de Santana, cidades do Portal do Sertão e municípios do interior também precisam estar no centro das estratégias de prevenção e investigação.

2. Os números mostram a dimensão da violência no Brasil

Não podemos fazer jornalismo sério apenas com discursos, impressões ou vídeos que circulam nas redes sociais. É necessário apresentar números, identificar suas fontes e explicar o que eles representam.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresenta os dados consolidados de 2025.

Brasil — mortes violentas intencionais em 2025

40.775

Mortes violentas intencionais

19,1

Mortes por 100 mil habitantes

−8,2%

Variação em relação a 2024

13 anos

Menor taxa desde o início da série, em 2012

Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dados de 2025.

A redução nacional é uma informação importante e precisa ser reconhecida. Entretanto, ela não significa que o problema esteja resolvido.

São mais de 40 mil vidas perdidas em um único ano. Por trás de cada número existem famílias destruídas, crianças que crescem sem seus pais, mães que enterram seus filhos e comunidades que convivem com o medo.

A segurança pública não pode ser avaliada somente pela variação percentual. Também precisa ser analisada pela quantidade de vítimas, pela distribuição territorial da violência e pela capacidade de impedir que novos crimes aconteçam.

3. Bahia: redução percentual não significa que a população esteja segura

A Bahia apresenta uma realidade que merece atenção especial.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o estado registrou:

5.473

Mortes violentas intencionais em 2025

Taxa baiana

36,8 por 100 mil habitantes

Taxa nacional

19,1 por 100 mil habitantes

Variação na Bahia

−9,6%

Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dados de 2024 e 2025.

A taxa baiana representa quase o dobro da média nacional. Portanto, mesmo com a redução registrada, a situação exige atenção permanente.

Outro dado importante: a Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que, entre janeiro e agosto de 2026, os registros de crimes violentos letais intencionais (CVLI) passaram de 2.718, em 2025, para 2.140, em 2026.

Redução oficial de 21,3%

Foram 578 ocorrências a menos na comparação entre os mesmos oito meses. É um resultado que merece reconhecimento, mas também fiscalização e continuidade das políticas públicas.

SSP - SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA

A pergunta que precisa ser feita é: como transformar essa redução em uma mudança permanente na vida das pessoas? Como impedir que as facções ocupem os espaços deixados pela ausência de políticas públicas e pela fragilidade das estruturas locais?

A população não quer apenas ouvir que os índices diminuíram. Quer poder sair de casa, trabalhar, estudar, utilizar o transporte público e voltar para sua família sem viver sob o temor da violência.

4. PCC e Comando Vermelho: a expansão das facções precisa ser enfrentada

O crescimento da influência das facções criminosas é um dos maiores desafios para a segurança nacional.

Não se trata apenas de prender integrantes de organizações criminosas. Trata-se de desarticular estruturas financeiras, impedir a circulação ilegal de armas, combater a corrupção, interromper comunicações criminosas e recuperar territórios submetidos à violência.

Na Amazônia Legal, um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em novembro de 2025 identificou presença de facções em 344 dos 772 municípios da região.

O Comando Vermelho aparecia em 286 municípios, mais que o dobro dos registros de 2023. Já a presença identificada do PCC passou de 93 municípios em 2023 para 90 em 2025.

Esses números são específicos da Amazônia Legal, não do Brasil inteiro. Mas demonstram que não é correto afirmar que todas as facções crescem igualmente em todos os territórios. O cenário é dinâmico e regionalizado.

Na Bahia, o Atlas da Violência identificou a participação de facções nacionais e grupos locais nas disputas territoriais.

O Estado precisa responder a essa realidade com inteligência, investigação e presença permanente. Operações pontuais são importantes, mas não substituem uma política contínua de segurança.

5. A estrutura policial: quem protege a população também precisa ser protegido

Outro ponto que merece atenção é a estrutura das forças policiais.

Policiais militares, civis, penais e federais enfrentam organizações criminosas que dispõem de recursos financeiros, armamentos ilegais, redes de comunicação e capacidade de movimentação entre diferentes localidades.

Não é razoável exigir resultados permanentes dos profissionais da segurança sem oferecer efetivo adequado, equipamentos, treinamento, proteção e condições dignas de trabalho.

Um parecer técnico do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, divulgado em agosto de 2025, apontou déficit de 14.595 policiais militares em relação ao efetivo previsto na legislação estadual.

Esse dado demonstra uma questão estrutural que precisa ser enfrentada com planejamento e transparência.

Jornal Correio

Outro levantamento preocupante foi divulgado pelo Ministério Público da Bahia em outubro de 2025: das 1.263 câmeras corporais disponíveis para as polícias Militar e Civil, somente 95 estavam em utilização nas unidades fiscalizadas, aproximadamente 7,5%.

A situação apontava problemas de utilização, distribuição e controle dos equipamentos.

É necessário perguntar:

  • Quantos policiais estão efetivamente trabalhando nas ruas?
  • Quantas viaturas estão em condições de operação?
  • Os profissionais recebem treinamento atualizado?
  • Há coletes, armamentos e equipamentos de comunicação suficientes?
  • Os municípios possuem estrutura para apoiar as ações de segurança?
  • Os equipamentos adquiridos estão realmente sendo utilizados?

Não basta anunciar compras e investimentos. É necessário demonstrar que os recursos chegaram à ponta, onde o policial enfrenta diariamente os riscos da profissão.

6. Governo da Bahia e Governo Federal: onde estão as respostas?

A segurança pública é uma responsabilidade compartilhada, mas isso não pode servir de justificativa para transferir responsabilidades de um governo para outro.

O Governo da Bahia anunciou, em novembro de 2025, um conjunto de medidas para fortalecer as forças de segurança. Entre os números apresentados pelo próprio governo estavam mais de R$ 1 bilhão em investimentos desde 2023, incorporação de 7.300 agentes, entrega de 6.300 viaturas e aquisição de 20 mil coletes balísticos.

Também foram anunciadas ações de inteligência, ampliação do efetivo, modernização das unidades e investimentos em prevenção social.

SSP - SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA

Esses anúncios precisam ser considerados. Entretanto, a população tem o direito de saber quanto foi efetivamente executado, quais equipamentos estão disponíveis, quantos policiais estão nas ruas e quais resultados foram alcançados em cada município.

É justamente nesse ponto que entra a cobrança jornalística.

O que não pode acontecer é a normalização da violência e a ausência de respostas satisfatórias diante das necessidades da população.

Quando uma comunidade denuncia ameaças, tráfico, tiroteios, extorsões e domínio territorial por grupos criminosos, é obrigação das autoridades investigar, oferecer proteção e prestar contas sobre as providências adotadas.

Não seria correto afirmar, sem provas, que os governos estadual ou federal estão deliberadamente permitindo o crescimento das facções. Entretanto, é legítimo questionar possíveis falhas de planejamento, falta de fiscalização, insuficiência de investimentos e demora nas respostas institucionais.

A omissão administrativa, quando comprovada, precisa ser investigada pelos órgãos competentes e responsabilizada conforme a lei.

O Governo Federal, por sua vez, precisa ampliar sua participação no enfrentamento ao crime organizado, especialmente no combate ao tráfico internacional de armas e drogas, à lavagem de dinheiro, ao contrabando e às estruturas financeiras das organizações criminosas.

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 144, que a segurança pública é dever do Estado e direito e responsabilidade de todos.

Portanto, nenhuma autoridade pode tratar a segurança da população como uma questão secundária.

7. Feira de Santana e o interior da Bahia também precisam de atenção

Feira de Santana possui uma posição estratégica na Bahia. Sua localização e importância econômica tornam indispensável um planejamento de segurança que considere a circulação de pessoas, mercadorias, veículos e as conexões rodoviárias da região.

A preocupação não deve se limitar à sede do município.

Bairros periféricos, distritos, comunidades rurais e municípios vizinhos precisam de políticas permanentes de prevenção, policiamento e investigação.

É necessário que as autoridades apresentem diagnósticos específicos sobre:

  • Os bairros com maior incidência de homicídios e roubos.
  • Os pontos críticos de tráfico de drogas e circulação de armas.
  • As ocorrências de ameaças e extorsões.
  • A capacidade de atendimento das delegacias.
  • O efetivo policial disponível por região.
  • A iluminação pública e as condições de segurança dos espaços coletivos.
  • O funcionamento dos sistemas de monitoramento e atendimento emergencial.

A população precisa participar dessa discussão. Moradores, comerciantes, associações comunitárias, escolas, igrejas e entidades sociais podem colaborar com políticas preventivas, respeitando os limites legais de cada instituição.

Segurança pública também significa impedir que crianças e adolescentes sejam recrutados pelo crime.

8. As soluções apresentadas pelo jornalista Josenilson Almeida

Não basta denunciar os problemas. O jornalismo também precisa contribuir para o debate público, apresentar propostas e cobrar sua execução.

Com base nos dados apresentados, esta reportagem propõe medidas que podem ser adotadas pelos municípios, estados e Governo Federal.

1. Responsabilidade dos municípios

  • Ampliar a iluminação pública em áreas vulneráveis.
  • Modernizar o videomonitoramento, respeitando a legislação de proteção de dados.
  • Fortalecer as Guardas Municipais dentro de suas competências legais.
  • Investir em esporte, cultura, educação e prevenção ao uso de drogas.
  • Criar canais seguros para denúncias e acolhimento das vítimas.
  • Desenvolver programas de prevenção à violência nas escolas.

2. Responsabilidade dos governos estaduais

  • Recompor o efetivo das polícias Militar, Civil e Penal.
  • Garantir viaturas, armamentos regulamentares e equipamentos de proteção.
  • Ampliar a inteligência policial e a investigação de homicídios.
  • Fortalecer delegacias territoriais e unidades especializadas.
  • Investigar redes de lavagem de dinheiro e financiamento das facções.
  • Garantir proteção aos policiais e valorização profissional.
  • Criar metas públicas de redução da violência por município.

3. Responsabilidade do Governo Federal

  • Fortalecer a integração entre Polícia Federal, PRF e forças estaduais.
  • Intensificar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas.
  • Rastrear e bloquear recursos financeiros de organizações criminosas.
  • Combater a lavagem de dinheiro e a corrupção.
  • Ampliar o controle de fronteiras, portos e aeroportos.
  • Apoiar financeiramente os estados com critérios transparentes.
  • Fortalecer o sistema penitenciário e impedir comunicações criminosas ilegais.

4. Participação da sociedade

  • Denunciar crimes pelos canais oficiais.
  • Cobrar transparência dos representantes públicos.
  • Participar dos conselhos comunitários de segurança.
  • Apoiar projetos sociais de prevenção.
  • Não compartilhar informações falsas ou imagens que exponham vítimas.
  • Exigir investigações sérias e respeito aos direitos fundamentais.

9. Segurança pública não pode ser tratada como disputa partidária

O combate à criminalidade não pertence à direita, à esquerda ou a qualquer partido político.

Não é uma disputa entre governos. É uma necessidade de sobrevivência da população brasileira.

Quando uma família perde um filho para a violência, não importa a posição política dessa família. Quando um trabalhador é assaltado, quando um comerciante fecha as portas por medo ou quando uma comunidade vive sob ameaças, o sofrimento não escolhe partido.

A sociedade precisa cobrar resultados de todos os governantes, independentemente de suas ideologias.

Governadores, prefeitos, presidente da República, parlamentares e demais autoridades precisam compreender que segurança pública exige planejamento, responsabilidade, integração e fiscalização.

Também é fundamental reconhecer o trabalho dos policiais que arriscam suas vidas diariamente. O profissional que combate o crime precisa de respaldo institucional, treinamento, proteção e condições adequadas para exercer sua função.

Defender a polícia não significa defender abusos. Defender os direitos humanos não significa tolerar criminosos. Uma sociedade democrática precisa de segurança, justiça, legalidade e respeito à vida.

10. A pergunta que fica para os governantes

Até quando o cidadão brasileiro terá de organizar sua rotina em função do medo?

Até quando pais terão receio de permitir que seus filhos brinquem na rua? Até quando comerciantes precisarão conviver com ameaças? Até quando trabalhadores terão medo de voltar para casa depois de um dia de serviço?

A população não pode ser obrigada a aceitar a violência como parte natural da vida.

O cidadão paga impostos, trabalha, sustenta sua família e espera que o poder público cumpra suas obrigações.

Não se pode exigir que a população substitua o Estado. Não se pode transferir para o cidadão a responsabilidade de enfrentar organizações criminosas.

O Estado precisa estar presente, não apenas quando uma tragédia acontece, mas principalmente antes que ela aconteça.

O DIREITO DE VIVER NÃO PODE SER UM PRIVILÉGIO

Esta reportagem não tem o propósito de atacar instituições, desrespeitar autoridades ou desconsiderar os resultados positivos alcançados pelas forças de segurança.

Seu compromisso é com a verdade, com a informação responsável e com o direito da sociedade de cobrar respostas.

Os números nacionais mostram redução das mortes violentas em 2025. A Bahia também apresentou reduções em indicadores oficiais. Esses resultados devem ser reconhecidos.

Mas a taxa de mortes violentas da Bahia continua muito acima da média brasileira, as disputas entre facções permanecem como um desafio e os problemas estruturais das forças policiais exigem acompanhamento.

Uma redução estatística não devolve a vida de quem morreu. Um anúncio de investimento não substitui equipamento funcionando. Uma operação policial não substitui uma política permanente de segurança.

O Brasil precisa recuperar a capacidade de proteger seus cidadãos, garantir a presença do poder público nas comunidades e impedir que organizações criminosas ocupem espaços que deveriam pertencer à sociedade.

A Bahia precisa continuar avançando, Feira de Santana precisa receber atenção proporcional à sua importância e o Governo Federal precisa assumir plenamente seu papel na integração nacional contra o crime organizado.

Nossa cobrança é clara: queremos planejamento, transparência, investimento, inteligência, prevenção e resultados.

Porque nenhuma família deveria viver trancada dentro de casa enquanto o medo determina o que pode ou não fazer nas ruas.

O direito de viver em paz é um direito de todos. E proteger vidas precisa ser uma prioridade permanente dos governos.

Por Josenilson Almeida — Jornalista | JN Notícias Brasil | Rádio Princesa do Sertão — Feira de Santana, Bahia.

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Fontes e referências para conferência

Os dados utilizados nesta reportagem devem ser consultados em suas publicações originais:

  1. Fórum Brasileiro de Segurança Pública — Anuário 2026.
  2. Agência Brasil — mortes violentas no Brasil em 2025.
  3. Agência Brasil — Atlas da Violência e expansão das facções.
  4. SSP-BA — balanço de segurança de janeiro a agosto de 2026.
  5. SSP-BA — microdados de mortes violentas de janeiro a setembro de 2026.
  6. Correio 24 Horas — déficit de efetivo policial apontado pelo TCE.
  7. CNN Brasil — fiscalização do uso de câmeras corporais na Bahia.
  8. Governo da Bahia — investimentos anunciados em segurança pública.

Nota editorial: os números de mortes violentas podem variar conforme a metodologia, a abrangência das categorias e a atualização das bases. O indicador CVLI da SSP-BA não deve ser confundido com MVI do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que inclui também mortes decorrentes de intervenções policiais e outras categorias. Os dados de 2026 são parciais e não devem ser apresentados como resultados anuais.

 

Redação JN Noticias/Josenilson Almeida

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